No nove filme de estrada de Walter Salles, Na Estrada, a adaptação do romance de Kerouac, ela é parte de um grupo de jovens que partem em uma viagem através do sexo, drogas e jazz.
Wiener Zeitung:
2008, antes da estreia do primeiro Crepúsculo, quase ninguém a
conhecia. Hoje você é peça de um jogo para todos os tabloides por aí.
Como você lida com isso?
Kristen Stewart: Eu não gosto, mas
eu aprendi com isso. Quando sai pela primeira vez em turnê promocional
de Crepúsculo - com 17 anos - eu não sabia ainda onde traçar a linha
quando se falava da minha relação com a imprensa e o que era relevante
para as entrevistas e o que eu deveria guardar para mim. Hoje eu sei
exatamente o que se pode e não se pode dizer.
WZ: Já houve
um tempo depois de Crepúsculo onde você sentiu o perigo de que essa
coisa toda poderia ficar fora de controle para você e você iria acabar
como uma daquelas “Garotas de Hollywood”?
KS: Eu acho que é
incrivelmente embaraçoso se você pensa de si mesmo como uma grande
vendedora. Isso é exatamente o que essas meninas fazem. Há esse momento
onde todos em um bar de repente ficam olhando para você e você pensa que
talvez você valesse a pena estar sendo observada: Eu me recuso a ser
essa pessoa, porque eu não quero ser um objeto de utilidade. Você também
tem que saber neste trabalho: Se você der certas partes de você para o
público, você nunca as receberá de volta.
WZ: Hollywood requer que embora você participe no circo e fuga de um talk show para o outro.
KS: Eu conheço colegas que constantemente jogam nestes formados,
pessoas bem educadas, porque eles são grandes atores. Basta olhar para
os talk shows. Eu sempre me pergunto: Como é que eles fazem isso? Como
eles podem ser tão perfeitos? Mas no final você percebe: Você não é
nada. Você não é ninguém. Porque você sempre tentou agradar tantas
pessoas, para desempenhar um papel para todos eles.
WZ: Vamos falar sobre "On the Road": Você leu o livro?
KS: Sim. Este livro realmente moldou a maneira que abordo as pessoas.
Eu tive que conhecer esses personagens durante a leitura e pensei: Oh,
Deus, esse é o tipo de pessoas que eu preciso na minha vida real.
Pessoas que me desafiem.
WZ: O diretor Walter Salles é
conhecido por não restringir seus atores - em contraste com filmes de
grandes estúdios como Crepúsculo.
KS: Com este filme nós
queriamos perder completamente o controle sobre nós mesmos. Isso é em si
mesmo uma contradição com a forma como os filmes são filmados: roteiro,
set, tudo está predeterminado. A diferença de Crepúsculo foi que com
ele que eu estava obcecada com os diálogos certos, porque eu os amava.
On the Road, por outro lado foi um projeto onde o suposto era o público
ser apresentado algo para se descobrir, em vez de receber algo feito, um
produto perfeito.
Walter Salles nos deu muito tempo para
internalizar os personagens. Para isso nós também tivemos que conhecer
uns aos outros como atores. Isso é o que levou ao fato de que nad
parecia posado enquanto estávamos filmando. Nós simplesmente nos
deixamos levar. E é claro que nos esquecíamos de alguma fala aqui e ali,
mas nós as encontramos novamente mais tarde, através de nós mesmos,
porque conhecíamos esses personagens e é por isso que nós sabíamos
quando eles tinham que usar essas falas perdidas.
WZ: Isso soa como um trabalho agradável. Você sente o espartilho de fins lucrativos de Hollywood na vida real?
KS: Eu me sinto muito livre em minhas decisões. Para os de fora, pode
parecer como se alguém como eu não tivesse liberdade alguma por causa de
toda a promoção exagerada. Mas isso não é verdade. Hoje em dia eu tenho
acesso a tantas possibilidades e tenho muito pela frente. Eu acho que
você não deve fazer concessões na vida. Isso é algo tão fundamental, mas
é verdade. Eu não me nego nada na vida. E eu não permito que outros me
neguem nada.
WZ: Você sente que através de On the Road você será percebida como uma atriz reconhecida?
KS: Eu tenho sorte de que estejam me oferecendo tantos papeis. Então eu
acho que: Sim, e estou estabelecida. Para mim, não é sobre os
resultados do meu trabalho, mas mais sobre a experiência que possa
passar. E a segurança de saber que hoje eu possa fazer o meu trabalho
muitas vezes mais. Ou pelo menos que eu saiba que posso fazê-lo mais uma
vez antes que todo mundo ache que eu sou uma puxa saco.
Fonte | Tradução: Vanessa Lopes
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