Aos 22 anos, a atriz Kristen Stewart, que conquistou o mundo com a série “Crepúsculo”, conta como deixou de lado a ingenuidade para atuar nua em uma trama mais adulta.
A atriz americana Kristen Stewart tem somente 22 anos. Já figura, no entanto, como uma das “celebridades mais poderosas do mundo” na famosa lista da revista “Forbes”. Uma das provas dessa poder ela deu pessoalmente no Festival de Cannes do qual participou com o filme “Na Estrada”, adaptação do livro de Jack Kerouac assinada por Walter Salles. O filme não ganhou absolutamente nada, mas ninguém causou tanto furor nem foi tão badalada como Kristen (“Na Estrada entra em cartaz no Brasil nesse mês, e ela interpreta uma jovem sexualmente aventureira, que protagoniza cenas de sexo e nudez). Em cifas, todo sucesso da atriz pode ser traduzido em cachês que já lhe renderam U$$12,5 milhões por um filme e numa fortuna de aproximadamente U$$34 milhões. Fama e fortuna que ela conquistou sobretudo com os dois últimos episódios da saga Crepúsculo, franquia que já arrecadou U$$2,5 bilhões – “Amanhecer – O Final” chega aos cinemas em novembro. Como se vê, um grande filme atrás do outro. No momento, ela brilha nas telas como protagonista de “Branca de Neve e o Caçador”, uma sombria versão do clássico conto de fadas. Durante o Festival de Cannes, ela recebeu a reportagem de ISTOÉ para a seguinte entrevista.
Sendo tão jovem, como lida com o furor que desperta nos fãs e na mídia?
Minha vida não é tão louca quanto parece. O furor vem quando promovo um
filme e preciso pisar no tapete vermelho. Mas eu seria uma psicopata se
não me comovesse com a paixão do público.
Como é servir de modelo para outras jovens?
As pessoas escolhem seus modelos. Se eu parasse para pensar na percepção
que as meninas têm de mim e calculasse os meus movimentos, passaria a
mentir sobre mim mesma.
O dinheiro lhe dá sensação de poder? Segundo a “Forbes”, você faturou U$$34 milhões em 2011
Nunca tive muita intimidade com dinheiro. A insanidade que ele desperta em muitas pessoas ainda é um mistério pra mim.
A sua fama e fortuna começou com “Crepúsculo”, que está chegando ao fim. E agora?
Adoro olhar pra trás e ver o longo caminho que trilhei, mas não quero me
repetir como atriz. Essa fase incrível que estou vivendo, de filmar sem
parar, devo ao “Crepúsculo”.
Filmes mais adultos, como “Na Estrada”, podem alienar os seus fãs?
Não é algo com que eu deva me preocupar. Vou fazer os filmes que eu quiser. Não vou pensar se os fãs gostarão ou não.
Na vida real, você já fez longas viagens de carro como a sua personagem em “Na Estrada”?
Coloquei o pé na estrada com duas amigas antes de iniciar as filmagens. O
carro ficou imprestável no fim da jornada. Foi incrível sair por aí de
carro, sem destino, com tanto espaço diante de seus olhos.
Como foi filmar as cenas de sexo e drogas do livro?
Sexo promíscuo e drogas não têm hoje o mesmo caráter transgressor
daquela época. Os personagens do livro experimentaram de tudo porque
eram aventureiros e queriam testar os seus limites.
Ficou nervosa ao tirar a roupa no set?
Eu me senti segura e protegida, ao mesmo tempo em que senti uma
responsabilidade enorme em retratar Marylou com fidelidade nas cenas.
Como sou muito diferente dela, fiz questão absoluta de perder o
controle.
Explique melhor.
Sou muito implosiva, enquanto tudo o que Marylou faz é pra fora. Se ela
ri, ri pra fora e não pra dentro, como eu. Por conta disso, fiquei
empolgada, querendo fazer as cenas de nudez e sexo. E fazer direito.
Você tem aversão à ideia de princesa? Como concordou em filmar “Branca de Neve e o Caçador”?
É verdade, quando eu era criança, em vez de me fantasiar de princesa, eu adorava colocar uma armadura de cavaleiro de plástico.
Você esperava encontrar na vida um príncipe encantado?
Nunca sonhei com principe encantado. Não gosto da ideia de a mulher ter
de esperar por um tal principe para ser finalmente completa e feliz.
Prefiro as figuras femininas e fortes, que correm atrás do que querem.
Quando criança, qual era o seu conto de fadas favorito?
“Mogli – O menino lobo.”
Nenhuma personagem feminina nunca a agradou?
Se tiver de escolher, fico com a Bela, de “A Bela e a Fera”: ela teve a
coragem de se envolver com um monstro sem se preocupar com o que os
outros iriam pensar.
Como foi estar em Cannes com “Na Estrada”, ao mesmo tempo em que seu namorado, Robert Pattinson, defendia o filme “Cosmópolis”?
Tenho muito orgulho dele, e ele, de mim. Nós já lucramos por estar em Cannes, o maior festival do mundo.
Acredita ter uma visão diferente de Hollywood por ter
crescido nos sets em Los Angeles? (Kristen é filha de Jules Stewart,
mais conhecida como supervisora de roteiros, e John Stewart, gerente de
palco de programas de tv.)
Sempre admirei os meus pais. Acompanhar a rotina deles desde criança fez
de mim uma trabalhadora de colarinho azul, que não tem medo de pegar no
pesado. Tenho uma paixão por filmes desde os 5 anos.
Você começou a atuar aos nove anos. Do que você se lembra?
Eu me sentia o máximo! Tudo o que eu queria era que os adultos falassem
comigo no set. Estava cansada de ficar olhando tudo de fora, só
esperando que meus pais terminassem o trabalho para me levar pra casa.
Eu ficava entediada.
